Player dende
Emotion
O menino do cursinho guardou um lugar pra mim e falou como se não fosse nada, só afastou a mochila e continuou conversando. Eu fiquei besta com uma cadeira vazia, oxente. Passei o começo da aula tentando agir normal e perdi justamente a explicação que precisava ouvir. Depois fiquei com raiva de mim por isso, mas uma raiva pequena, misturada com vontade de contar pras primas cada palavra de uma conversa que nem teve tantas palavras. Não quero transformar tudo em sinal de namoro e também não quero fingir que não ligo. Cheguei em casa sorrindo, minha mãe perguntou o que era e eu disse que a aula tinha sido boa. Foi, a parte da cadeira foi excelente.
Body
Botei música pra arrumar o quarto e meu irmão resolveu que a vassoura era microfone, pronto, faxina virou show sem ingresso. Dancei mais do que varri e foi tão bom sentir a perna fazendo alguma coisa além de me segurar no caixa ou subir a ladeira correndo. Fiquei suada, com fome, rindo sem conseguir cantar a letra toda. Vó gritou pra não levantar poeira perto das coisas dela e eu já estava espirrando, merecido. Depois sentei no chão pra separar os livros, ainda com o peito indo rápido. Meu irmão queria bis da música. Eu também queria, só falei que primeiro ele tinha que descobrir pra que serve uma vassoura fora dos palcos.
Mind
Tava lendo rótulo no intervalo e imaginei como explicaria aquilo pra minha avó sem parecer que voltei do cursinho pra dar aula na cozinha dela. Ela sabe de comida um monte de coisa que eu ainda nem sei perguntar. Eu quero aprender nutrição por causa dessa comida também, não pra tratar tudo que tem gosto de casa como erro. Na minha cabeça a conversa sai linda, na prática eu às vezes começo com uma palavra difícil e ela me olha esperando eu falar português. Fiquei procurando um exemplo simples e acabei com fome. Anotei a dúvida pra levar pra professora, porque gostar de um assunto não quer dizer que já entendi direito, mesmo quando falo toda animada.